Estive pensando sobre minha sutil decisão de revelar minha mente ateista, de fato isso não é uma convicção, mas uma constatação.
Como aconteceu? É difícil dizer, acho que ninguém nasce ateu, apesar de nascer numa família com tradição católica, cresci observando algumas reações genuínas de meus queridos pais, que tinham pouco estudo, porém no orgulho de suas personalidades permitiam que lhe escapasse alguns questionamentos.
Meu pai tinha aversão a padres por algumas experiências desagradáveis que não me recordo bem, por isso detestava ir a missas e igrejas, apesar disto, sempre pedia para que rezássemos por sua segurança nas estradas, foi como caminhoneiro que ajudou sustentar seus dez filhos.
A cada viagem um mundo de solidão e de mistérios, ficando a espreita pelas longas horas de asfalto na qual trafegou boa parte de sua vida. Lembro-me bem, quando entrava no seu caminhão eu saia correndo, para ajoelhar diante de uma Santinha que tínhamos e pedia a ela que cuidasse do meu pai. Ele ficava feliz ao saber disso .
Hoje imagino, que se sentia assim, porque via neste ato uma prova de amor e um sinal de que nos importávamos , certamente não era pela crença no poder daquela estátua .
Minha mãe nos contava sobre um momento terrível, quando um dos meus irmãos contraiu doença incurável que lesou seu cérebro pra sempre ,nesta época meu pai quebrou uma imagem da Santinha no oratorio da casa,teria maldito a Deus ao gritar esbravejando : - È mais fácil existir um demônio do que um Deus.Que Deus é esse que tortura uma família decente e trabalhadora? Que Deus é esse que permite que uma criança fique deformada para o resto da vida?.
Interessante é que minha mãe, parecia ter a intenção de nos mostrar, que os problemas de saúde que surgiram para ele, anos depois, derivavam de sua rebelião contra Deus. Quando doente ele voltou a acreditar , contudo havia mudado do catolicismo para o espiritismo.
Minha mãe rejeitava as concepções espíritas, acreditava não ser possível, que as pessoas sofram nesta vida por pecados de outras vidas: - esta coisa de encosto não tem pé nem cabeça. Acreditava que as coisas tinham que ser feitas e vividas durante a vida, e que não existia reencarnação. Apesar de se alfinetarem, respeitavam suas escolhas religiosa individuais o que se evidenciava , quando nos diziam , que teríamos liberdade ao ficarmos adultos , para escolher em quem ou em que acreditar. Nesta constelação recebi uma permissão, muito bem internalizada , o que garante um pensar mais livre.
Fiz meus primeiros anos escolares no colégio "Menino Jesus" uma congregação de Freiras da Nossa Senhora, por ser uma escola católica as aulas de religião era diárias, minha educação fazia verdadeiras imersões em inúmeras parábolas e historinhas incríveis sobre Jesus. Já naquela época, gostava de questionar,chamava atenção o escapismo das freiras diante de perguntas insistentes que eu e a criançada fazia.
Fiz meus primeiros anos escolares no colégio "Menino Jesus" uma congregação de Freiras da Nossa Senhora, por ser uma escola católica as aulas de religião era diárias, minha educação fazia verdadeiras imersões em inúmeras parábolas e historinhas incríveis sobre Jesus. Já naquela época, gostava de questionar,chamava atenção o escapismo das freiras diante de perguntas insistentes que eu e a criançada fazia.
Quando casei aos 15 anos meu marido rezava antes de dormir, fazia três orações e me obrigava a rezar com ele, quase todas as noites ele tinha crises nervosas de estupidez emocional, sempre com o empenho de me magoar, depois rezava e prometia não repetir as sandices. Suas promessas nunca se cumpriam diante de tanta contradição, depois de muito tempo, parei de rezar isso não mudava em nada o quadro infeliz daquela união.
Minha formação evidentemente influenciou a forma de educar meus filhos, lembro-me bem que em nossas viagens de Caxias Do Sul para Passo Fundo , contava a eles aquelas parábolas, eram boas historinhas para que ficassem quietinhos. Também estudaram em colégio católico na Congregação dos Murialdinos em Ana Rech Caxias do Sul, época que era uma mãe atuante e participava dos eventos na escola, estes sempre com fundo religiosos.
Foi nesta época que comecei a estudar psicologia e conheci Freud, li o "Mal estar Na Civilização”, "O Futuro De Uma Ilusão", mas foi com "Moises e o Monoteísmo" que a ficha caiu, ali conheci um pouco da historia das religiões dos interesses que promoviam as doutrinas e as manobras políticas por traz do universo incontido das crenças. Dia a dia um "dar-se por conta" se apoderava das minhas impressões sobre o mundo , as pessoas, suas necessidades, formação , falhas cognitivas, as tendências humanas de não suportar o vazio a falta de respostas, diante de nossa fragilidade num mundo tão poderoso e incontrolável em seus aspectos naturais , bem como a impotência clara diante da morte e das misérias sociais.
Foi quando meu filho teve leucemia, que o grito ateísta ecoou em mim.
No meio do tratamento foi desenganado, por uma equipe inteira de médicos altamente capacitados.Diante do meu desespero de mãe o medico tentou consolar-me sugerindo "que eu entregasse a Deus", eles os médicos, já estavam fazendo tudo que era possível para salvar aquela vida .Perguntou: -Você acredita em Deus?
Não contive a revolta esbravejei: - Não! Não! Não! Eu acredito na competência de alguns homens e na evolução da ciência, se estas duas não estiverem aqui. vou procurar onde quer que estejam. Para minha sorte estava falando com um super profissional, muito bem resolvido ,tratava-se de um dos maiores especialistas em doenças pulmonares do Rio Grande do Sul, e numa atitude de humildade este especialista , calmamente falou que entendia e faria o mesmo diante de uma realidade tão terrível, frisando ser toda ajuda bem vinda. Escreveu o nome do seu Mestre num papel e disse ao me entregar - É o especialista dos especialistas. Apoiaria uma decisão vinda dele,porem não seria possível remover o paciente, pois ele estava respirando com ajuda de aparelhos.
Não contive a revolta esbravejei: - Não! Não! Não! Eu acredito na competência de alguns homens e na evolução da ciência, se estas duas não estiverem aqui. vou procurar onde quer que estejam. Para minha sorte estava falando com um super profissional, muito bem resolvido ,tratava-se de um dos maiores especialistas em doenças pulmonares do Rio Grande do Sul, e numa atitude de humildade este especialista , calmamente falou que entendia e faria o mesmo diante de uma realidade tão terrível, frisando ser toda ajuda bem vinda. Escreveu o nome do seu Mestre num papel e disse ao me entregar - É o especialista dos especialistas. Apoiaria uma decisão vinda dele,porem não seria possível remover o paciente, pois ele estava respirando com ajuda de aparelhos.
Nos entregou todos os exames às radiografias e ligou para o Mestre na Capital agendou uma consulta.
Eis o milagre da competência, ao ver os exames, o mesmo prognóstico : os pulmões do guri estavam ,com 95% de comprometimento e a origem da febre podia ser uma bactéria oportunista, um fungo não conhecido ou qualquer coisa que não respondia a todas as intervenções medicamentosas.
Eis o milagre da competência, ao ver os exames, o mesmo prognóstico : os pulmões do guri estavam ,com 95% de comprometimento e a origem da febre podia ser uma bactéria oportunista, um fungo não conhecido ou qualquer coisa que não respondia a todas as intervenções medicamentosas.
Assim também o “especialista dos especialistas” sentencia ao meu ex marido (também médico) : - Seu filho não tem chances, caso melhore vai ficar invalido por causa dos danos ao pulmão. O fato de estar fraco por causa das quimioterapias retira quaisquer chances de melhora.
Como um bom cientista da saúde , pede uma pausa para pensar mais e em apenas alguns minutos sozinho antes de escrever o prgnóstico fatal, resolve fazer o que sempre ensinou a seus alunos, começou a criar as teorias mais malucas que sua mente era capaz e entre uma delas enxergou a resposta: - " Água é Água! " imediatamente pegou o telefone e ligou para a CTI do hospital do Circulo Operário em Caxias do Sul.
Como um bom cientista da saúde , pede uma pausa para pensar mais e em apenas alguns minutos sozinho antes de escrever o prgnóstico fatal, resolve fazer o que sempre ensinou a seus alunos, começou a criar as teorias mais malucas que sua mente era capaz e entre uma delas enxergou a resposta: - " Água é Água! " imediatamente pegou o telefone e ligou para a CTI do hospital do Circulo Operário em Caxias do Sul.
Eu estava no quarto da CTI no isolamento, junto com meu filho ,quando uma equipe de medicos e enfermeiros entrou, começaram a agir com uma certa urgência, tiravam os remédios pendurados dos dois lados do leito que estavam sendo ministrados de forma intravenosa. Meu filho,com seu corpo esquelético, estava semi-conciente e não esboça reação, sua vida se esvaia.
Perguntei apreensiva: - O que é isso, o que estão fazendo? - Foi quando o Dr. Dagoberto Godoy disse: - É água! temos que dar diurético, ele teve uma infiltração por causa do corticóide na quimioterapia (Seus olhos brilhavam de satisfação)então me disse:
- Ele vai ficar bem acredite no que você acredita.
- Ele vai ficar bem acredite no que você acredita.
No outro dia os aparelhos foram retirados os leucitos subiram de 500 para 3.000 e no terceiro dia meu filho voltou para o quarto ,esperamos dois meses até que tivesse forças para começar a etapa final da quimioterapia .
A doença regrediu com a retomada do tratamento e ele foi curado.
Graças ao grande preparo físico que o paciente tinha, sua juventude,a atitude descrente que tive, a humildade de um grande especialista e a ousadia de um grande Mestre que foi capaz de associar as idéias , chegar a resposta ,também graças a agilidade do pai do Augusto que como médico conseguiu movimentar-se sem pestanejar em busca das possibilidades usando todos os recursos que dispunha. Claro que meu filho antes de entrar na CTI enquanto a febre o consumia pedia ajuda de Deus, rezava em sua fragilidade , sentindo a morte chegar , a fé de desespero o acometeu, mas foi a ciência e as decisões acertadas que o salvaram.
Depois deste episódio,o mundo mudou para mim. Tomei coragem para mudar todas as coisas que não estavam bem na minha vida,inclusive minha situação civil nada podia ser maior do que ter vencido a morte provável de um filho.
As forças emergiram de todos nós, nos descobrimos mais aptos para a vida.
Foi assim que o olhar ateu se solidificou silenciosamente , descobri que podia buscar apoio em coisas mais reais,e que muitas ficariam sem respostas , que com ética suportaria estas faltas , sempre acreditando que com o tempo elas seriam respondidas .
Como fez minha mãe, não imponho meus pensamentos a meus filhos eles são livres para transitar em suas necessidades valores e crenças.

sua filha agradece, fe na vida.
ResponderExcluirte amo minha deusa.
Bjo Lala
Fico imensamente feliz pela força que teve nesses momentos de tanta dor, feliz pela cura de seu filho, que é a razão máxima de nossa filha. Um abraço carinhoso
ResponderExcluirOla Luciana, obrigada pelo comentário,faz muito bem compartilhar nossas historias de sucesso,tenho acompanhado seu blog muito empolgada.Obraços.
ResponderExcluirOlá Alba,fiquei feliz com sua visita e com seus comentários. Essas situações me motivam a continuar meu trabalho. Um bj carinhoso
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